Usar inteligência artificial (IA) para fazer tarefas da escola ou do escritório criou um problema que vai além do aprendizado. Ao entregar um texto ou projeto gerado pela máquina como se fosse próprio, a pessoa obtém uma vantagem rápida e sem esforço. Para o neurocientista Álvaro Machado Dias, essa dinâmica cria incentivos para a mentira.
O impacto, porém, não se limita à questão ética. Em sua coluna no programa Olhar Digital News, o especialista alerta que a facilidade em evitar a fricção mental reduz as barreiras morais dos indivíduos com o tempo. Além disso, a dependência contínua da tecnologia atrofia a capacidade de tomar decisões difíceis e amplia as desigualdades no mercado de trabalho.
Novas fronteiras da IA na mente e na sociedade
Para o neurocientista, a crise provocada pela IA na educação está nos métodos de avaliação baseados em trabalhos feitos fora da sala de aula. Ao permitir que tarefas sejam automatizadas e entregues sem esforço real, a tecnologia premia a trapaça em vez do desenvolvimento do aluno.
“O problema vai além da economia de esforço. Isso cria incentivos para a mentira. Quando construímos ambientes em que mentir é vantajoso, diminuímos a barreira ética para mentiras futuras. Assim, acabamos formando pessoas menos éticas”, explica o doutor Álvaro Machado Dias, que também é professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
