Argentina é o país mais racista do mundo? Entenda por que esse debate ganhou força após a Copa
Durante séculos, o racismo permaneceu à margem do debate público na Argentina, que construiu a ideia de uma nação com raízes apenas europeias. Bastou a Copa do Mundo transformar episódios muitas vezes tratados como "piadas de torcida" em um escândalo internacional para que o tema passasse a ocupar programas de televisão, redes sociais e conversas cotidianas.
Esse processo também ampliou o espaço para grupos antirracistas, que já existiam há muito tempo no país, terem mais voz.
"A Copa evidenciou uma questão que antes estava invisibilizada", afirma Miriam Gomes, professora, ativista e líder do movimento afro-argentino.
A antropóloga e pesquisadora do Conicet, Natalia Gavazzo, comemora que a Argentina tenha sido colocada "de frente ao espelho" com os ataques porque, segundo ela, o racismo nunca foi debatido no país como ocorre agora.
"As pessoas estão falando disso na fila do mercado, nas ruas e até em casa. Depois da Copa, começaram a chegar essas críticas e muita gente achou que tinha que se defender, mas ao mesmo tempo esses movimentos antirracistas do país passaram a ser mais escutados e acho que agora temos uma oportunidade de entender nossa própria história", diz.
Uma das perguntas que passou a circular nessa onda nas redes foi: seria a Argentina o país mais racista do mundo?
A professora Miriam é categórica: o país é racista, mas não o mais racista do mundo.
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