Poucos procedimentos da cirurgia plástica despertam opiniões tão divergentes quanto a lipoaspiração. Ao mesmo tempo em que ocupa há anos o primeiro lugar entre as cirurgias estéticas realizadas no Brasil e figura entre as mais frequentes do mundo, ela continua cercada por dúvidas que surgem sempre que um caso de complicação grave recebe grande repercussão. Esse tipo de notícia, embora mereça atenção, pode dar a impressão de que se trata de uma cirurgia naturally perigosa, quando, na realidade, a discussão é muito mais ampla e depende de fatores que vão muito além da técnica utilizada para remover gordura.
Segundo dados da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), aproximadamente 2 milhões de lipoaspirações foram realizadas em todo o mundo em 2024, das quais cerca de 290 mil ocorreram no Brasil. Trata-se de um volume superior ao de diversas cirurgias realizadas rotineiramente na prática médica, o que demonstra não apenas a popularização do procedimento, mas também o grau de aperfeiçoamento técnico alcançado ao longo das últimas décadas.
A história da lipoaspiração acompanha a própria evolução da cirurgia plástica moderna. Desde que os médicos Arpad e Giorgio Fischer desenvolveram, na década de 1970, as primeiras cânulas destinadas à retirada controlada de gordura, a técnica passou por sucessivos aperfeiçoamentos.
