Militares brasileiros participam do Exercício Membeca 2026 no Centro de Instrução de Gericinó, no Rio de Janeiro, em 29 de julho de 2026.
Fabio Teixeira/Anadolu/Getty Images via BBC
"Abrir o portão." Foi assim que o ministro da Defesa, José Múcio, disse que o Brasil deveria reagir a uma eventual invasão dos Estados Unidos. "A gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão", afirmou, arrancando risadas dos presentes.
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Múcio fez a declaração na terça-feira (4/8) durante um encontro da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre transporte marítimo e indústria brasileira, quando defendia maior previsibilidade no orçamento das Forças Armadas.
Ela veio em meio a uma escalada das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em julho, Washington anunciou uma nova tarifa de 25% sobre a maior parte dos produtos brasileiros, e Brasília negou vistos a dois diplomatas americanos. Horas depois da declaração do ministro, o governo americano cancelou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
Apesar do tom bem-humorado, a resposta de Múcio expôs um aparente paradoxo.
Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri), os gastos militares brasileiros cresceram 13% em termos reais em 2025, para US$ 23,9 bilhões, uma alta bem superior aos 3,4% registrados na América do Sul e aos 2,9% registrados globalmente.
Por que ministro da Defesa diz que Brasil teria que só 'abrir o portão' aos EUA em caso de ataque (mesmo após alta de 13% nos gastos militares)
