Pacientes que desenvolvem infecções por bactérias multirresistentes durante a internação em unidades de terapia intensiva (UTIs) podem gerar um custo 3,6 vezes maior do que aqueles que não adquirem esse tipo de infecção. A estimativa faz parte do projeto Impacto MR, pesquisa financiada pelo Ministério da Saúde e desenvolvida desde 2019 em hospitais brasileiros.
Em entrevista à CNN Brasil, a economista da saúde Isabela Lott Bezerra, do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou que o Brasil ainda não possui um cálculo nacional sobre o impacto financeiro dessas infecções no Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente pela dificuldade de reunir e cruzar informações de diferentes bases de dados.
“Para responder essa pergunta, precisamos de um grande volume de dados que represente as diferentes realidades do país. Além disso, é preciso integrar informações sobre infecção e custos do mesmo paciente, o que ainda é um grande desafio”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, o cálculo também exige uma metodologia específica. Não basta comparar o custo de um paciente infectado com o de outro sem infecção.
“É preciso identificar qual foi o custo adicional provocado pela infecção. Essa análise é bastante complexa”, explicou.
Custo pode ser evitado
O projeto Impacto MR acompanha pacientes internados em 50 UTIs brasileiras, públicas e privadas, e analisa infecções adquiridas durante a internação associadas ao uso de dispositivos invasivos, como cateteres e ventilação mecânica.
