A Doença X não é um vírus recém-descoberto nem uma enfermidade misteriosa que já esteja circulando pelo mundo. Na realidade, ela sequer existe. O nome foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para representar a possibilidade de que a próxima grande epidemia ou pandemia seja causada por um agente infeccioso ainda desconhecido pela ciência.
O conceito faz parte da estratégia global de preparação para emergências sanitárias da OMS. Além de manter uma lista de patógenos considerados prioritários, a organização também busca acelerar o desenvolvimento de pesquisas, diagnósticos, tratamentos e vacinas que possam ser adaptados rapidamente diante de uma nova ameaça.
Para Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e mestre em Saúde Pública pela Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, nos Estados Unidos, a principal mudança foi reconhecer que a próxima pandemia pode surgir de um agente infeccioso que a ciência ainda não conhece.
Há uma possibilidade importante de a próxima pandemia não vir de um patógeno conhecido, mas sim de um patógeno desconhecido. É por isso que a gente fala sobre a Doença X, cujas características são de extrema preocupação, mas cujo patógeno pode simplesmente ainda não ser conhecido.
Luana Araújo, médica especialista em doenças infecciosas
A observação da especialista ajuda a explicar a lógica por trás do conceito criado pela OMS.
