Pesquisa apresentada no COSPAR, a principal conferência mundial de pesquisa espacial, realizada em Florença (Itália) e organizada pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália (INAF), aponta que a combinação de minerais produzidos por micro-organismos na Terra e de matéria orgânica complexa, ambos encontrados pelo rover Perseverance da NASA, aumenta a probabilidade de Marte ter sido habitado no passado.
Teresa Fornaro, pesquisadora do Observatório Arcetri do INAF e professora de astrobiologia em Florença que colabora com a missão Perseverance, disse à agência ANSA que qualquer forma de vida marciana teria existido mais provavelmente como micro-organismos subterrâneos, protegidos da radiação que bombardeia a superfície do planeta e obtendo energia das próprias rochas.
Evidências indiretas e os limites da análise atual
Fornaro ressaltou que tudo o que foi reunido até agora são evidências indiretas. A matéria orgânica encontrada tem estrutura alterada, o que dificulta rastrear sua origem. Para ela, uma resposta definitiva só será possível quando as amostras coletadas em Marte puderem ser analisadas na Terra.
Uma das amostras que sustenta essa discussão foi coletada no verão de 2024 e contém traços com potencial biológico, ainda sujeitos a análises adicionais para confirmação. O administrador da NASA, Sean Duffy, descreveu a descoberta como “o momento em que chegamos mais perto do que nunca da vida em Marte”.
