Não se pode falar de censura sem compreender quais são as estruturas de poder. O objetivo da censura é impedir declarações hostis, contrárias ou simplesmente desfavoráveis às entidades ou pessoas que possuem poder suficiente para detê-las. Em outras palavras, a censura é o exercício de um poder assimétrico no qual a entidade dominante subjuga seus detratores.
No entanto, a censura não é estática; alimenta-se de um elemento essencial à sua propagação: o medo. Por isso, alcança seu principal objetivo: impedir, de diferentes maneiras, a difusão de qualquer narrativa indesejada. Entre essas formas está a autocensura, que se manifesta tanto de forma consciente quanto inconsciente, quando se evita falar sobre determinado tema para escapar de consequências negativas. Esses medos vão desde o rompimento de relações até consequências mais evidentes, como a perda do emprego, a perseguição e, em casos extremos, a morte. A autocensura é um pacto que a pessoa faz consigo mesma para preservar-se, evitando repercussões que possam violar os parâmetros tradicionais dos direitos humanos.
Mariano José de Larra definia a censura, de forma sucinta, como uma ordem de comportamento na qual as críticas não são permitidas. Supostamente, vivemos em uma realidade em que poucos governos atuais poderiam ser definidos nesses termos tão ditatoriais.
