Samsung, SK hynix e Micron, as três maiores fabricantes de memória do mundo, já fecharam toda a capacidade de produção de DRAM e HBM para 2027. Segundo fontes ouvidas pelo portal taiwanês DigiTimes, não sobrou nenhuma brecha de fornecimento para novos compradores: quem não garantiu contrato até agora, simplesmente não vai conseguir comprar memória no próximo ano.
O detalhe que separa esse episódio de outros alertas recentes sobre a crise de memória RAM é o timing. Julho e agosto são tradicionalmente os meses em que fabricantes de servidores, PCs e laboratórios de inteligência artificial negociam as alocações do ano seguinte; e, segundo as fontes do DigiTimes, boa parte do mercado nem sabia que as negociações já estavam em andamento.
Várias empresas foram mantidas propositalmente fora das conversas, e o motivo é estratégico: tanto fornecedores quanto compradores evitaram tornar público o acirramento da disputa por medo de gerar pânico e atrair ainda mais concorrência por uma capacidade que já não existe.
Contratos de até 5 anos e pagamento adiantado
A prática que sustenta esse cenário não é exatamente nova, mas se consolidou como padrão em 2026: a tríade de fabricantes passou a fechar acordos de longo prazo (LTAs, na sigla em inglês), com duração entre três e cinco anos, exigindo depósito antecipado do comprador para garantir que os pedidos entrem em produção e sigam cronograma. A Micron, por exemplo, já amarrou 16 empresas nesse modelo de contrato quinquenal.
