VÓZINHA (Josimar José Évora Dias) realmente escreveu um daqueles capítulos raros do futebol: um goleiro de 40 anos, de um país pequeno como Cabo Verde, que chega ao Mundial 2026 quase desconhecido e sai dele como fenômeno global. Segurou a Espanha campeã no 0 a 0, brilhou contra a Argentina e, de repente, o mundo inteiro passou a conhecer aquele nome carinhoso nas costas da camisa.A história por trás do apelido é ainda mais bonita. Criado pelos avós (Maria Senhorinha e Manuel da Luz), ele ganhou o “Vozinha” ainda menino, nas peladas de rua em Mindelo. Quando apanhava dos mais velhos e voltava pra casa bravo, os colegas zoavam: “vai reclamar com a vó”. O que nasceu como brincadeira virou homenagem permanente. Manter esse nome não é vaidade; é gratidão e memória.Quando o Colo-Colo o contratou, surgiu o obstáculo burocrático: o regulamento da ANFP proíbe apelidos nas camisas. O clube não aceitou o “não”. Pediu exceção, os outros 15 clubes da primeira divisão votaram a favor por unanimidade e Vozinha pôde estampar nas costas exatamente o nome que o mundo aprendeu a gritar. Mais do que uma vitória pessoal, foi um gesto coletivo que valorizou a história de vida dele e, indiretamente, a de tantos avós que criam netos.Aos 40 anos, depois de uma carreira discreta (Angola, Moldávia, Chipre, Eslováquia, segunda divisão portuguesa), ele virou referência de humildade.
Vozinha: o apelido que mudou a regra no Chile
Por sarahamerico · Jovem Pan
