Se você sente que a inteligência artificial (IA) raramente discorda de você, saiba que não é impressão. Um estudo da Universidade de Oxford, publicado na revista Nature em 2026, revelou que treinar chatbots para serem simpáticos e acolhedores reduz a precisão das respostas em até 30%. Na prática, quanto mais “bonzinho” é o assistente virtual, maior é a chance de ele concordar com uma premissa errada apenas para agradar quem está do outro lado da tela.
A explicação para essa bajulação algorítmica está no próprio treinamento das ferramentas. Para garantir respostas agradáveis, avaliadores humanos premiaram a educação em detrimento do confronto. Por isso, grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) aprenderam a regra estatística: concordar e ser gentil gera pontuações mais altas do que corrigir o usuário. O resultado é um chatbot que age como um assistente júnior inseguro que prefere validar uma tese furada a causar qualquer tipo de atrito.
IAs bajuladoras: zonas cinzentas e o ‘espelho que elogia’
Essa subserviência, no entanto, não se manifesta de maneira igual em qualquer tipo de pergunta. Em testes feitos pelo Olhar Digital com fatos históricos consolidados - afirmar erroneamente que a Segunda Guerra Mundial começou em 1930 - o ChatGPT e o Claude mantiveram a postura, corrigiram o usuário e resistiram mesmo diante de apelos emocionais.
