Há alguns anos, a maioria das pessoas procurava o médico quando sentia algum sintoma. Hoje, muitas consultas começam de outra forma.
“Doutora, eu preciso tomar creatina?”
“Vale a pena usar um sensor de glicose?”
“Será que meus hormônios estão baixos?”
“Quais vitaminas eu deveria tomar?”
“Que exames preciso fazer para descobrir tudo o que pode acontecer comigo no futuro?”
Essas perguntas mostram uma mudança importante na maneira como enxergamos a saúde. Nunca tivemos tanto acesso à informação, tantos recursos para monitorar o organismo e tantas possibilidades de prevenção. Ao mesmo tempo, nunca foi tão comum a sensação de que estar saudável já não basta. Parece que precisamos estar o tempo todo otimizando alguma coisa.
Prevenção é diferente de procurar doenças
A medicina preventiva é uma das maiores conquistas da ciência. Vacinação, controle da pressão arterial, tratamento do colesterol, combate ao tabagismo e rastreamento de algumas doenças salvaram milhões de vidas.
Mas prevenção baseada em evidências não significa fazer todos os exames disponíveis nem usar suplementos ou medicamentos apenas porque eles estão em evidência.
Nem toda alteração em um exame representa uma doença. Nem toda deficiência discreta precisa de tratamento. E nem todo fator de risco transforma uma pessoa saudável em paciente.
A boa medicina procura responder perguntas específicas.
