*Por Zé Lima
Se você viveu os anos 2000, lembra bem do Bug do Milênio. A mídia só falava disso. Era o caos apocalíptico e sistêmico porque os sistemas baseados em dois dígitos para ano (98, 99) iriam colapsar na virada para o 00. No fim, viramos o ano e o mundo não acabou. Pode rir.
Hoje, estamos prestes a viver um novo bug. Só que ele é silencioso, cruel e muito mais definitivo. Ele vai mudar a forma como a gente se relaciona com as máquinas: o exaurimento completo dos dados. A euforia que nos abastece com uma carga homérica de informação capaz de transformar qualquer infante em "sábio" em dois cliques, gerando argumentos irrefutáveis para a roda de conversa que não sabe diferenciar Sócrates de Shakespeare, está prestes a bater no teto.
O ponto é simples: criar IA exige um processo humano e braçal por trás. Primeiro vem a coleta. Imagina que alguém plantou um monte de coisa e você precisa colher. Você manda coletores pra rua, eles trazem tudo pro celeiro (o banco de dados) e você precisa separar o milho do feijão, etiquetando que ambos vieram da Fazenda do João. Isso é a normalização (para a gente não ficar louco falando de metadados aqui). Depois, você guarda cada um no seu galpão (a clusterização) para ser usado na hora certa.
Tudo isso só para começar a preparar o consumo da IA
O problema? Assim como os grãos na terra, os dados da internet são finitos. E o esforço para continuar minerando o que resta está ficando financeiramente inviável.
