Livros antigos, incluindo edições raras e exemplares de difícil acesso, estão sendo destruídos em larga escala para alimentar o treinamento de ferramentas de inteligência artificial ao redor do mundo.
O processo, que já vem acontecendo há algum tempo, envolve a compra de milhões de obras por grandes empresas do setor de tecnologia, que são utilizadas como parte essencial da programação de respostas “mais humanas” das plataformas.
Os livros adquiridos são enviados a empresas especializadas, onde passam por um procedimento industrial no qual a lombada é cortada por uma máquina, as páginas são escaneadas em alta velocidade e, em seguida, o material físico é direcionado para reciclagem.
Segundo os defensores da técnica, esse método é adotado por ser muito mais eficiente do que escanear as páginas uma a uma manualmente.
As empresas buscam preferencialmente exemplares publicados antes de 2022, ano em que as principais ferramentas de inteligência artificial chegaram ao mercado.
A razão é lógica: utilizar conteúdos produzidos após essa data apresentaria um alto risco de treinar os sistemas com material já gerado pelas próprias IAs, o que poderia provocar um colapso no funcionamento dessas ferramentas.
O fenômeno começou a chamar atenção quando livreiros de países como Suíça, Alemanha e Holanda passaram a relatar encomendas incomuns. Em um dos casos, uma empresa de Singapura solicitou a compra de três mil livros de uma só vez, o que gerou estranhamento no dono.
