O Fundo Social foi criado para transformar uma riqueza não renovável em patrimônio financeiro permanente, preservando benefícios para gerações futuras e reduzindo a volatilidade fiscal, mas tem servido cada vez mais para bancar despesas correntes e políticas de curto prazo, segundo análise de Jeferson Bittencourt, head de macroeconomia do ASA e ex-secretário do Tesouro Nacional.
Bittencourt lembra que o mecanismo, idealizado em meio ao início da exploração do pré-sal, foi inspirado em fundos soberanos como o da Noruega.
O Fundo Social previa originalmente que os rendimentos do patrimônio financiassem essencialmente áreas estratégicas, como educação, cultura, esporte, saúde, ciência e tecnologia e meio ambiente.
Bittencourt pontua que, se novas reservas não forem descobertas e exploradas, a produção de óleo e gás no Brasil começa a decair em menos de dez anos, conforme projeções da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
No entanto, o espírito de preservar recursos para gerações futuras acabou se perdendo e a renda do pré-sal começou a voltar-se cada vez mais para o financiamento de despesas correntes.
