A escalada da tensão diplomática entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump tem funcionado, no cenário político nacional, como um fator de desvio de atenção das turbulências internas da base governista. A avaliação é da analista de Política da CNN Clarissa Oliveira, ao Live CNN, que detalhou os bastidores do impasse entre Brasília e Washington e seus efeitos.
Ritos diplomáticos descumpridos alimentaram o atrito
Segundo Clarissa Oliveira, o processo de indicação do novo embaixador americano no Brasil não seguiu os trâmites diplomáticos tradicionais desde o início. “Existe toda uma dinâmica, uma etiqueta, digamos assim, na relação entre países que é respeitada por um motivo”, afirmou.
Na diplomacia, explicou a analista, esses ritos funcionam como sinais de respeito e condolência entre nações, e seu descumprimento é naturalmente interpretado pela outra parte como um atrito ou até um ataque.
A consulta preliminar sobre a indicação do embaixador, procedimento historicamente realizado de forma sigilosa para preservar o protocolo, não foi realizada pelo governo americano.
Diante disso, o governo brasileiro já enxergava um componente político e eleitoral nas ações de Washington desde o início do processo. “Cada parte foi agindo de acordo com o seu interesse político eleitoral aqui nessa história”, avaliou Clarissa Oliveira.
A resposta do governo brasileiro ao movimento americano foi deliberadamente política.
