A guerra na Ucrânia remodelou o mercado internacional do petróleo, incluindo o brasileiro. Depois das sanções do Ocidente, a Rússia foi atrás de novos mercados para o seu combustível com uma arma: preços baixos. Países que não aderiram às sanções se tornaram os maiores compradores.
China, Índia, Turquia e Brasil foram os 4 principais mercados para esse combustível. De fevereiro de 2022 a junho de 2026, o Brasil importou US$ 26,4 bilhões em petróleo e derivados russos. A participação da Rússia na importação brasileira de diesel saltou de menos de 1%, antes da guerra, para 63% em 2026. O combustível russo passou a ocupar quase 20% do abastecimento nacional.
Depois das sanções, as exportações russas passaram a combinar operações realizadas pelos canais tradicionais do comércio internacional com uma frota paralela de embarcações conhecida como shadow fleet, ou frota fantasma.
Frequentemente sancionados e com estruturas opacas de propriedade e operação, esses navios se tornaram uma das principais ferramentas da Rússia para manter as vendas de petróleo e derivados ao exterior tentando mascarar a sua origem.
Essas embarcações não oferecem só combustível mais barato:m também reduzem a transparência sobre a origem da carga, os responsáveis pelo transporte e, muitas vezes, sobre o próprio histórico operacional dos navios. Para a Rússia, é uma forma de preservar parte das exportações de petróleo e derivados mesmo com as sanções.
Importar diesel russo é permitido no Brasil.
