O primeiro leilão de reserva de capacidade para armazenamento de energia em baterias no Brasil, marcado para dezembro de 2026, é considerado um avanço para o setor elétrico. No entanto, a definição de quem arcará com os custos dos encargos desses empreendimentos segue como o principal ponto de controvérsia entre governo, Congresso e agentes do mercado.
Em entrevista ao Alta Voltagem, programa de TV da CNN, o CEO da Engeform Energia, Gilberto Feldman, afirmou que o leilão representa uma decisão aguardada há anos pelo setor, mas destacou que a discussão sobre quem financiará os projetos ainda está longe de um consenso.
“O leilão de baterias é uma decisão acertada e o setor vem trabalhando para que ele aconteça há muito tempo. O que há de controverso sobre o tema é quem vai pagar essa conta das baterias“, afirmou.
Segundo Feldman, as baterias não representam uma solução definitiva para os cortes de geração renovável (conhecidos pelo jargão “curtailment”), mas ajudam a reduzir seus impactos ao oferecer maior flexibilidade para a operação do sistema elétrico.
Na avaliação do executivo, o desenho do leilão aproxima os projetos de armazenamento do modelo utilizado nos ativos de transmissão. Nesse formato, a remuneração ocorre pela disponibilidade do equipamento, independentemente do volume de energia movimentado ou do preço da eletricidade.
