Tudo o que acontece “da porteira para fora” exige atenção permanente do produtor rural, especialmente no caso de culturas fortemente conectadas ao comércio global, como a cotonicultura.
No combate às incertezas do mercado internacional, especialistas e lideranças do setor reunidos no Dia do Algodão, evento promovido pela Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) no Oeste da Bahia, avaliaram que o momento exige cautela, mas também celebra a solidez alcançada pelo algodão brasileiro.
Apesar das recentes discussões sobre tarifas protecionistas e medidas comerciais dos Estados Unidos, os analistas apontam que fatores geopolíticos, como conflitos armados no Oriente Médio e variações climáticas decorrentes de fenômenos como o El Niño, exercem peso mais direto no custo de produção e na logística do que o protecionismo norte-americano.
Gestão rigorosa e custos sob controle
De acordo com o pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq-USP), o impacto direto de taxações de insumos agrícolas específicos nos custos das lavouras tende a ser limitado pela diversificação de fornecedores, mas a dinâmica global exige monitoramento constante.
“Boa parte dos insumos é importada da África, da Ásia e do Oriente Médio. Hoje, os conflitos internacionais e guerras impactam muito mais os custos com fertilizantes do que a taxação americana em si”, explicou Ribeiro.
