A disputa presidencial de 2026 caminha para consolidar uma característica que se tornou recorrente nas democracias contemporâneas: eleições cada vez menos decididas pelo entusiasmo em torno de um candidato e cada vez mais influenciadas pela rejeição ao adversário.
As pesquisas divulgadas ao longo dos últimos meses apontam um cenário de elevada polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Embora os levantamentos variem quanto à vantagem de um ou de outro, praticamente todos convergem em dois aspectos: a tendência de um segundo turno entre ambos e os elevados índices de rejeição dos dois principais polos políticos.
Essa constatação altera significativamente a lógica da campanha.
Tradicionalmente, eleições são interpretadas como um julgamento da gestão do governo. O eleitor avalia resultados econômicos, políticas públicas, segurança, saúde, educação e decide se deseja manter ou substituir quem ocupa o poder. Sob esse aspecto, a eleição de 2026 também possui um caráter plebiscitário, pois inevitavelmente representa uma avaliação da administração Lula.
Entretanto, há um segundo plebiscito em curso. Parte expressiva do eleitorado também avaliará a capacidade da oposição de apresentar uma alternativa suficientemente viável para retornar ao Palácio do Planalto. A disputa deixa de ser apenas sobre aprovação do governo e passa a envolver a comparação entre duas rejeições políticas bastante consolidadas.
