Quando o jogador Wesley Patati marcou um golaço na vitória do AZ Alkmaar sobre o PSV e ajudou o clube a conquistar a Supercopa da Holanda, quem comemorou não foi apenas a torcida holandesa. Em Presidente Dutra, a notícia teve um significado especial. Era um filho da terra mostrando ao mundo que os sonhos também podem nascer longe dos grandes centros.
Antes da Europa, houve o interior do Maranhão.
Houve ruas simples, campos de terra, traves improvisadas e uma infância em que o talento caminhava ao lado das dificuldades. Wesley nem sempre tinha chuteiras próprias. Muitas vezes jogava com pares emprestados, maiores que seus pés. Corria tentando se adaptar ao que tinha, arrancando brincadeiras dos amigos, que diziam que ele parecia um palhaço. Foi assim que nasceu o apelido “Patati”. Um nome que surgiu da simplicidade de uma infância humilde e que, anos depois, cruzaria o oceano estampado nas costas de um jogador brasileiro.
Naquela cidade do centro do Maranhão, muita gente conhece histórias parecidas. Mudam os nomes, mudam os caminhos, mas quase sempre existe uma infância marcada por limitações e pela vontade de construir um futuro melhor. Talvez seja por isso que essa conquista tenha sido recebida como uma vitória coletiva. Ela lembra que grandes trajetórias nem sempre começam nos grandes centros.
O gol só aconteceu na Holanda.
