Venenos de serpentes do gênero Bothrops, incluindo a jararaca, podem ajudar no tratamento da esquistossomose, podendo reduzir a viabilidade dos vermes, segundo estudo de pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) e do Instituto Butantan.
Os resultados do estudo, que foram descritos em artigo publicado no International Journal of Molecular Sciences, poderão servir de base para o desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da doença.
Os pesquisadores realizaram testes em laboratório para entender os efeitos de venenos de serpentes do gênero Bothrops sobre a expressão gênica, reprodução e viabilidade do Schistosoma mansoni, um dos parasitas causadores da esquistossomose, com foco especial na identificação de lncRNAs (RNAs não codificadores longos) que podem servir como novos alvos terapêuticos contra a esquistossomose.
Durante os experimentos, alguns venenos conseguiram reduzir a locomoção, a fixação e a viabilidade dos vermes, além de interromper a postura de ovos.
A necessidade de novos tratamentos surge devido à crescente tolerância do parasita ao praziquantel, o único medicamento disponível atualmente, já que, atualmente, existem grupos de pessoas que precisam de doses maiores do medicamento para se curarem da doença. Além disso, o remédio também não é eficaz contra as formas imaturas do verme.
