Como a minha rotina de observações astronômicas sempre dependeu diretamente do clima, a meteorologia virou uma paixão pessoal. Quando mudei para os Estados Unidos, percebi de cara um enorme vazio de informações climáticas voltadas para os imigrantes.
Por cultura, nós costumamos ser reativos: só nos preocupamos quando a água já bateu no pescoço. Foi aí que decidi agir e tornei-me voluntário da NOAA (Administração Oceanográfica e Atmosférica Nacional dos EUA) para traduzir e divulgar alertas preventivos em português na mídia local.
Com o tempo, ganhei um apelido carinhoso que carrego com orgulho: “O Cara do Clima”. E o mais gratificante é ver a gratidão de tantos brasileiros que aprenderam a colocar a prevenção climática na rotina.
A cultura do improviso e a névoa da fé
Essa experiência me mostrou o quanto nossa cultura prefere fechar os olhos para o clima extremo. A gente nunca acha que a tragédia vai bater à nossa porta. Para piorar, até a religiosidade entra de forma equivocada nessa conta.
Não são poucas as pessoas que oram para que uma tempestade mude de rota e desabe sobre a cidade vizinha. Sinceramente, não sei em qual versículo bíblico encontraram base para isso, afinal, na cidade ao lado também vivem filhos de Deus que precisam de proteção. Creio que a informação clara e a prevenção são as melhores formas de altruísmo.
Nossa história recente no Brasil demonstra a nossa falta de preparo.
