Caçar sinais de vida fora da Terra parece enredo de ficção científica, mas é o trabalho cotidiano de quem atua na vanguarda da exploração espacial. O Olhar Digital conversou com a astrobióloga brasileira Raíssa Estrela, pesquisadora do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA. Na entrevista, ela detalha como trabalha na preparação do Habitable Worlds Observatory (telescópio planejado para rastrear “Terras 2.0”), explica as limitações de observatórios atuais e analisa o que falta para descobrirmos se existe vida extraterrestre.
No entanto, a conversa vai além dos exoplanetas distantes e das luas geladas da nossa vizinhança planetária. Do espaço, a NASA mantém instrumentos apontados para o nosso planeta. E Raíssa revela como dados obtidos na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) ajudam a mapear a poluição por plástico e a perda de biodiversidade no planeta, incluindo no Brasil.
Olhar Digital: Antes de mais nada, deixo um espaço para você se apresentar aos nossos leitores.
Raíssa: Eu sou pesquisadora no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA. Eu trabalho com astrobiologia, na detecção de bioassinaturas em atmosferas de exoplanetas. E trabalho também com o nosso planeta Terra na detecção de poluidores, como o plástico e gases de efeito estufa, como também na caracterização de biodiversidade.
Olhar Digital: Raíssa, quando a gente fala em “cientistas da NASA”, parece um grupo superexclusivo de pessoas, superinteligentes, que estudam outros planetas.
