A volatilidade do mercado internacional de petróleo e a defasagem entre os preços do diesel no Brasil e no exterior estão ampliando a incerteza sobre os custos logísticos do agronegócio. Neste contexto algumas empresas começam a considerar o biometano não apenas como uma alternativa sustentável, mas também como uma estratégia para reduzir riscos financeiros.
A avaliação é de Edson Guimarães, CEO da LOTS Group, empresa especializada em logística sustentável. Em entrevista à CNN Agro, o executivo afirma que a discussão sobre combustíveis alternativos deixou de estar restrita às metas de descarbonização e passou a fazer parte da estratégia de gestão das cadeias de suprimentos.
“O biometano precisa ser visto como uma alavanca de gestão de risco e de construção de resiliência para o transporte rodoviário de cargas”, afirma.
O Brasil possui potencial para produzir cerca de 43 bilhões de metros cúbicos de biometano por ano, volume equivalente a aproximadamente 60% do consumo nacional de diesel.
Apenas a cadeia da cana-de-açúcar concentra quase metade desse potencial, com 21 bilhões de metros cúbicos anuais, seguida pela proteína animal, com 13 bilhões de metros cúbicos, pelos resíduos agrícolas, com 7 bilhões de metros cúbicos, e pelo setor de saneamento, responsável por cerca de 3 bilhões de metros cúbicos.
A tendência é de que a expansão da oferta se acelere nos próximos anos.
