Uma vizinhança sob controle, amistosa, de cooperação, é determinante para que um país tenha força. Isso vale não só àquela parte do mundo, mas também para sua projeção global.
O Brasil sempre esteve em uma região de menor conflituosidade, porque a América do Sul resolveu os problemas de fronteiras lá no começo do século XX. Antes, a maior disputa foi a Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai, tema que renasceu com extrema sensibilidade.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma declaração infeliz e reavivou todo esse rancor que os nossos vizinhos paraguaios têm em relação ao Brasil. Mas não é só isso.
Lula também não soube lidar com o líder da Argentina, Javier Milei, que esteve em São Paulo em um ato puramente eleitoral.
Do mesmo modo, o Brasil não soube construir uma relação com a Argentina quando Milei foi eleito, com uma proposta contrária à proposta do PT, à proposta da esquerda brasileira.
Essas diferenças, no entanto, não importam. Somos sócios no Mercosul, somos sócios comerciais, de investimento, e temos necessidade de condução das agendas comuns que afetam países que dividem fronteiras. Nesse sentido entram aspectos como crime organizado, o controle da agricultura, das bacias hidrográficas.
E um país grande que não tem boas relações com a vizinhança, perde credibilidade no cenário internacional. Na América do Sul, vários países em eleições recentes, Chile, Bolívia, Peru e agora a Colômbia, mudaram de vertente ideológica.
