Os dados mais recentes das contas públicas evidenciam uma piora quase constante de cenário. Não basta o governo dizer que está cumprindo as metas fiscais e vai apresentar uma proposta orçamentária para 2027 que contemple um superávit de 0,5% do PIB. Os resultados não convencem porque o próprio arcabouço abre muitas brechas legais para viabilizar as metas, como as despesas que podem ser abatidas, a margem de tolerância. Sem isso, os resultados anuais vêm sendo negativos, com tendência de piora até que, na prática, haja um estrangulamento para despesas não obrigatórias. Ou seja, o governo ficaria sem margem para investimentos, novos programas e até custeio da máquina pública. O que não está em um horizonte muito distante.
E o problema está mesmo do lado dos gastos, seja pelo engessamento do orçamento com despesas obrigatórias, seja por iniciativas do governo, pautas do Afinal, o governo não para de bater recordes de arrecadação. Em junho foram R$ 264,4 bilhões, o maior volume da série. No primeiro semestre, R$ 1,587 trilhão, melhor resultado para o período desde 2000. Mas, apesar da excelente performance, do lado da receita, prosseguem os déficits e o avanço forte da dívida pública. Em junho as contas do governo central tiveram um saldo negativo de R$ 48,2 bilhões, o pior para o mês desde 2023, somando, no primeiro semestre, um déficit de R$ 92,2 bilhões. Uma das justificativas foi o pagamento antecipado de precatórios em março.
