Uma autoridade marroquina de alto escalão afirmou nesta segunda-feira (3) que autoridades espanholas deveriam ter previsto as consequências da decisão judicial que enfraqueceu um importante mecanismo de dissuasão contra a imigração ilegal e contribuiu para as travessias em massa da semana passada em direção ao território de Ceuta, no norte do Marrocos.
A Espanha estima que cerca de 69.500 imigrantes retornaram de Ceuta para o Marrocos desde a travessia da semana passada, enquanto as autoridades marroquinas afirmam que cerca de 40.000 pessoas entraram no território.
O número de mortos é de no mínimo 72 no lado espanhol da fronteira e 11 no lado marroquino.
O presidente regional de Ceuta, Juan Jesús Vivas, acusou Rabat de ter “incentivado e permitido” o fluxo, enquanto a presidente da Comissão Europeia, órgão da União Europeia, Ursula von der Leyen, alertou contra qualquer tentativa de usar a imigração irregular para pressionar um Estado-membro da UE.
As autoridades locais do território deveriam ter previsto as consequências de uma decisão que desativou a dissuasão contra a imigração ilegal, disse a autoridade governamental a jornalistas, no primeiro pronunciamento desde o início da crise.
A decisão judicial espanhola de 8 de julho limitou o retorno imediato de imigrantes que chegam aos enclaves espanhóis por via marítima.
