Os Clubes Naval, Militar e de Aeronáutica classificaram como “ruídos diplomáticos desnecessários” alguns movimentos do Brasil realizados nos últimos dias.
Em manifesto conjunto, divulgado nesta segunda-feira (3), as entidades afirmam que a condução da política externa, somada ao agravamento da crise institucional e econômica, amplia os riscos para o futuro do país.
No documento intitulado “Os riscos à Nação”, os clubes, presididos por oficiais generais da reserva da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, sustentam que críticas personalistas, desalinhamentos políticos e a antecipação do debate eleitoral comprometeram relações bilaterais construídas ao longo de mais de dois séculos de cooperação.
O documento não cita os Estados Unidos, mas faz clara referência ao tarifaço imposto pelos americanos.
Segundo o texto, as retaliações comerciais enfrentadas pelo Brasil poderiam ter sido evitadas por meio de uma atuação mais técnica e pragmática nas negociações internacionais.
Os clubes também apontam que o foco da agenda política na pré-campanha eleitoral teria deslocado a atenção de temas considerados prioritários para o interesse nacional, em um contexto de elevada instabilidade da economia mundial.
Além da política externa, o manifesto faz críticas ao cenário interno. As entidades atribuem à leniência com a corrupção, à tolerância com o crime e à má gestão dos recursos públicos a deterioração das condições econômicas, institucionais e morais do país.
