Uma pesquisa internacional colocou em dúvida uma das explicações mais conhecidas sobre o funcionamento da circulação oceânica do Atlântico. O estudo indica que a AMOC conseguiu permanecer intensa mesmo quando a entrada de água quente e salgada do Oceano Índico diminuiu.
A descoberta ajuda a revelar que os mecanismos que controlam o clima do planeta podem ser mais complexos do que se pensava e que as grandes correntes oceânicas nem sempre respondem da mesma forma às mudanças ambientais.
Sedimentos de milhões de anos ajudam a desvendar o passado dos oceanos
A AMOC, sigla para Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico, funciona como uma gigantesca rede de transporte de calor. Na prática, ela leva águas quentes pela superfície do oceano em direção ao norte e devolve águas frias e mais densas pelas profundezas.
Esse movimento influencia temperaturas, chuvas e padrões climáticos em várias partes do mundo. Por décadas, pesquisadores acreditaram que a chamada fuga das Agulhas tinha um papel decisivo nesse processo.
A corrente, formada por águas quentes e salgadas do Oceano Índico que passam pelo sul da África em direção ao Atlântico, era considerada uma importante fonte de sal para o sistema. A ideia era que esse sal ajudaria a aumentar a densidade da água no Atlântico Norte, facilitando seu afundamento e fortalecendo a circulação profunda.
Para testar essa hipótese, cientistas analisaram um período entre 3,6 milhões e 2,6 milhões de anos atrás, no final do Plioceno.
