Pela primeira vez na história da medicina, temos a possibilidade concreta de eliminar um tipo de câncer em escala populacional. A vacina contra o HPV, disponível há mais de uma década, já mostrou ser capaz de reduzir drasticamente as infecções pelo vírus, as lesões pré-cancerosas e, mais recentemente, os casos de câncer de colo do útero em países com altas coberturas vacinais.
Estudos realizados no Reino Unido, por exemplo, demonstraram uma redução impressionante no número de casos de câncer de colo do útero entre mulheres que receberam a vacina na adolescência. É uma das maiores histórias de sucesso da prevenção moderna.
No entanto, Brasil e América Latina vivem um paradoxo. A região foi pioneira na incorporação da vacina contra o HPV aos programas públicos de imunização, mas as coberturas vacinais permanecem abaixo das metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), especialmente após a queda observada durante a pandemia.
Esse cenário foi evidenciado em uma revisão sistemática coordenada pela Oficina de Câncer de Pênis da Confederación Americana de Urología (CAU), apresentada no congresso da entidade. O estudo mostrou que a vacinação contra o HPV ainda avança de forma desigual na América Latina. Apenas Brasil, Argentina, Uruguai e Panamá incluem os meninos em seus programas nacionais de imunização, enquanto Cuba, Haiti, Nicarágua e Venezuela ainda não possuem programas registrados de vacinação contra o HPV.
