Faço parte de uma associação internacional de médicos dedicada ao ensino, ao estudo, à pesquisa e à promoção da amamentação. O grupo reúne pediatras, neonatologistas, obstetras, médicos de família e pesquisadores que atuam diretamente com gestantes, mães e lactentes em todos os continentes. Apesar das diferenças culturais, sociais e econômicas entre os países, compartilhamos um objetivo comum: proteger, promover e apoiar o aleitamento.
Há pouco mais de um mês, em 24 de junho de 2026, dois fortes terremotos atingiram a Venezuela, provocando milhares de mortes, feridos e pessoas desalojadas, além de enormes prejuízos à infraestrutura e aos serviços de saúde. Nesta semana, recebemos uma mensagem de uma pediatra venezuelana, membro de nosso grupo, que participou diretamente das ações de resposta à tragédia. Em seu relato emocionado, ela descreveu as enormes dificuldades enfrentadas pelas equipes de saúde nos resgates, no atendimento aos feridos, na organização dos hospitais e na distribuição de suprimentosessenciais.
Entre tantos desafios, destacou um aspecto frequentemente negligenciado: o cuidado com gestantes, recém-nascidos, lactentes e mães que amamentam. Garantir a continuidade da amamentação, oferecer apoio às nutrizes e proteger a alimentação infantil são prioridades tão importantes quanto o tratamento dos traumatizados, pois, em um cenário de escassez de água potável, energia elétrica e saneamento, o leite materno representa a forma mais segura de alimentar um bebê.
