O consumo de açúcar está associado a uma maior incidência de cáries, ao ganho de peso e, no longo prazo, pode contribuir para o surgimento de resistência à insulina ou diabetes. Para quem sofre de asma, o impacto pode ser ainda maior.
Um novo estudo com camundongos, publicado na revista Nutrients e divulgado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), mostrou que a ingestão de altas doses de açúcar piora severamente a inflamação pulmonar em curto prazo, agravando o risco de crises alérgicas.
No trabalho os camundongos receberam a quantidade regular de ração e, além disso, tiveram o consumo de leite condensado liberado. Em apenas duas semanas - período que em humanos equivaleria a aproximadamente dois anos - os efeitos negativos já começaram a surgir nos animais.
De acordo com os autores, este é o primeiro estudo com um modelo experimental de asma a mostrar a rapidez com que o açúcar pode agravar quadros inflamatórios.
“Quando uma criança consome muito açúcar, pensamos em consequências como cárie ou obesidade. Mas raramente consideramos que, em um período tão curto, uma alergia preexistente possa ser agravada. Os resultados, portanto, têm um impacto importante tanto na prática clínica quanto na formulação de políticas públicas”, comenta Caroline Marcantonio Ferreira, professora do Centro de Ciências Naturais e Humanas da Universidade Federal do ABC, que coordenou o estudo enquanto ainda trabalhava na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
