O agronegócio consolidou-se como o principal foco das recuperações judiciais no país no primeiro semestre deste ano. Levantamento da RGF Associados/BizDoc mostra que o setor fechou junho com 1.304 CNPJs em recuperação judicial, alta de 71,4% em 12 meses, além de crescimento de 25,4% apenas no primeiro semestre. Considerando toda a cadeia produtiva, incluindo insumos, agroindústria e comercialização, o universo chega a aproximadamente 1.620 CNPJs, o equivalente a um em cada cinco processos de recuperação judicial do Brasil.
Segundo a empresa que fez o levantamento, a crise mudou de perfil. Antes as recuperações judiciais eram concentradas em grandes agroindústrias, hoje predominam produtores rurais e pequenas empresas.
“Historicamente quem recorria à recuperação judicial eram as grandes corporações, porque tinham estrutura jurídica e financeira para isso. Depois da mudança da legislação em 2020 e da consolidação das decisões dos tribunais, escritórios menores passaram a oferecer esse serviço. O fenômeno desceu para a base da pirâmide”, afirma Claudio Damasceno, sócio sênior da RGF.
Segundo ele, os dados mostram uma mudança estrutural no perfil dos devedores.
“A dinâmica mudou muito quando se separa por porte de empresa.
