Marcos Degaut*
Há alguns dias, o Itamaraty negou vistos diplomáticos a representantes do governo americano que pretendiam visitar o Brasil para acompanhar questões relacionadas ao processo eleitoral. A justificativa oficial foi categórica: tratava-se de uma defesa da soberania nacional contra qualquer forma de ingerência externa.
O problema da decisão do governo Lula não é apenas jurídico ou diplomático. É moral e político. Ela foi tomada por um governo cujo histórico revela precisamente o oposto: uma longa tradição de relativizar a não-intervenção sempre que a ingerência favorece aliados ideológicos.
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Em circunstâncias normais, eventuais pronunciamentos de autoridades estrangeiras acerca de processos políticos domésticos seriam um desvio da boa norma diplomática. Estamos, entretanto, longe de viver em circunstâncias normais.
Vivemos em um país que, sob a má-gestão do PT, deixou de ser apenas de baixo crescimento para se transformar em uma economia estruturalmente hostil à prosperidade, perdendo renda relativa, competitividade, produtividade e capacidade de gerar riqueza. Em que a combinação de expansão descontrolada de um Estado perdulário e ineficiente, elevada carga tributária, insegurança jurídica, excesso regulatório, baixa qualidade educacional e resistência a reformas condenou o país à armadilha da renda média e a um processo contínuo de empobrecimento estrutural.
