A mortalidade de bezerros nas fazendas de cria no Brasil está frequentemente associada a falhas na colostragem, etapa determinante para a sobrevivência e o desenvolvimento do rebanho.
Em entrevista, o zootecnista Daniel Miranda, mestre em produção de ruminantes e gerente de produtos da Zoetis, informa que a administração correta do primeiro alimento fornece proteção imediata ao recém-nascido. Segundo ele, como o bezerro nasce praticamente sem anticorpos, a transferência de imunoglobulinas da mãe para o filho precisa ocorrer em uma janela de tempo extremamente curta.
A colostragem é o passo sanitário mais importante para elevar a taxa de sobrevivência dos lotes e reduzir a incidência de doenças no bezerreiro. As primeiras seis horas de vida do animal são consideradas o período crítico para que o intestino consiga absorver as imunoglobulinas de forma eficiente. Caso esse intervalo de tempo seja ultrapassado sem o consumo adequado de colostro, a capacidade de absorção de anticorpos cai drasticamente, deixando o bezerro vulnerável a infecções graves nas primeiras semanas de vida.
Para padronizar e facilitar a rotina no campo, o especialista orienta a aplicação rigorosa da regra do 2-4-6. Esse protocolo determina que a primeira mamada aconteça dentro das primeiras 2 horas após o nascimento. Além disso, o animal deve ingerir um volume equivalente a pelo menos 10% do seu peso vivo, o que representa aproximadamente 4 litros para uma bezerra de porte médio.
