O novo álbum de Anitta, Equilibrium - Parte 1 e 2, é um tapa na cara do Brasil que pula sete ondas e veste branco todo fim de ano, mas odeia a macumba, o candomblé e o catimbó.
Anitta vai lá e mostra a nossa verdadeira raiz, o esteio da nossa cultura e da nossa brasilidade, que não caiu de paraquedas, mas nasceu da resistência, da ciência, da magia e da sabedoria popular dos povos indígenas e negros. Anitta em busca do seu tronco ancestral através da música e deixando o recado: "Se a gente não souber de onde veio, a gente não consegue caminhar de cabeça erguida".
Assim como a ousadia da cantora maranhense Rita Benneditto, com o seu projeto Tecnomacumba lá atrás, a cantora carioca Anitta também ousou. Depois de colocar o funk brasileiro no cenário internacional, com muita coragem fez uma aposta de descer o funk à terra, às suas raízes. E, em vez de seguir pelo caminho da ostentação que muitas vezes é imposto como única possibilidade de ascensão dentro do capitalismo e da indústria cultural, ela mostrou o poder da humildade, da ancestralidade, do envelhecimento humano e da filosofia que aprendemos nos terreiros de todo o Brasil. Uma filosofia que nos ensina sobre comunidade, sobre respeito aos mais velhos, sobre a força da memória e sobre a importância de saber de onde viemos para decidir para onde queremos ir.
