MUNDO - Desigualdade extrema, montanhas de lixo e uma boa dose de humor. Talvez não exista combinação melhor para definir Gachiakuta. A aguardada adaptação do mangá homônimo de Kei Urana, que estreou em julho de 2025, com roteiro de Hiroshi Seko, vai muito além da ação desenfreada e se consolida como um espelho brilhante (e deliciosamente caótico) das fraturas da nossa própria sociedade.
No anime, acompanhamos Rudo, um jovem órfão de 15 anos que sofre bullying e vive à margem da sociedade. Até aqui, nada de novo, essa descrição poderia facilmente se aplicar a boa parte dos shounens atuais. Mas é justamente quando parece seguir uma fórmula conhecida que Gachiakuta surpreende.
Morador de uma ilha flutuante, Rudo vive na região mais pobre e estigmatizada do lugar, destinada aos "tribais", grupo constantemente discriminado pela elite. A ilha é rigidamente dividida entre os celestiais, que desfrutam de privilégios e abundância, e aqueles condenados a sobreviver com o que sobra.
Acusado de um crime que não cometeu, Rudo recebe a pena reservada aos "indesejáveis" e é lançado no Abismo, um gigantesco lixão onde tudo aquilo que a sociedade considera inútil, objetos ou pessoas, é simplesmente descartado. É nesse momento que a narrativa deixa de ser apenas uma história de vingança para revelar sua principal metáfora.
Quando o lixo revela quem a sociedade escolhe descartar
Em Gachiakuta, o lixo nunca é apenas lixo.
