O avanço dos prejuízos das empresas estatais federais preocupa o governo. O relatório “Estatísticas Fiscais”, divulgado pelo BC (Banco Central) na última sexta-feira (31) aponta que as estatais registraram um déficit de R$ 1,5 bilhão em junho.
Neste cenário, uma fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou em 2025 a deterioração econômico-financeira em onze empresas públicas de diferentes setores e apontou que parte delas pode exigir novos aportes de recursos do Tesouro Nacional nos próximos anos.
Segundo o tribunal, os problemas mais graves estão concentrados nos Correios e no setor nuclear, mas também atingem companhias portuárias, Casa da Moeda, Emgea e Infraero. O diagnóstico é de fragilidades estruturais, com perda de receitas, custos elevados, passivos trabalhistas e previdenciários e dependência de soluções temporárias para manter as operações.
Para o especialista em contas públicas Murilo Viana, o caso dos Correios é o principal ponto de atenção. Ele explica que, atualmente, a estatal não entra diretamente no cálculo tradicional do resultado primário do governo porque é classificada como uma empresa estatal não dependente.
“Hoje, ele não impacta diretamente o déficit primário do governo, propriamente dito, porque o Correios é considerado uma empresa não dependente. Existe o déficit das estatais, mas ele não entra naquela métrica que acompanha o resultado primário do governo”, afirma.
