Poucos minutos antes do despertador tocar, o corpo já está de olhos abertos. Para quem vive essa cena com frequência, a sensação é a de que o organismo “sabe” a hora certa de acordar, quase como se dispensasse o alarme.
O fenômeno não tem nada de sobrenatural: ele está diretamente ligado ao funcionamento do ritmo circadiano, o relógio biológico que regula sono, temperatura corporal, apetite e a liberação de hormônios ao longo de um ciclo de aproximadamente 24 horas.
Como o relógio biológico organiza o despertar?
O mecanismo central desse processo é o núcleo supraquiasmático, uma estrutura localizada no hipotálamo que recebe informações da retina sobre a quantidade de luz no ambiente.
Quando escurece, o cérebro aumenta a produção de melatonina, hormônio que induz o sono; quando amanhece, essa produção é interrompida e o corpo passa a ativar funções ligadas à vigília, como o aumento da temperatura corporal, da pressão arterial e da frequência cardíaca.
Rotinas consistentes de sono reforçam esse ciclo: ao dormir e acordar sempre nos mesmos horários, o organismo passa a antecipar o momento do despertar, mesmo sem qualquer estímulo externo.
O papel do cortisol na hora de acordar
Um dos protagonistas desse processo é o cortisol, hormônio associado ao estado de alerta.
