*Por Bruno Paiuca
O imaginário corporativo associa, de modo natural, o desperdício a salas vazias, andares subutilizados, estoques excessivos, processos burocráticos e estruturas administrativas infladas. Nesse contexto, eficiência significava reduzir espaço físico, renegociar contratos e enxugar operações. Esse raciocínio ainda existe e tem sua importância, mas o principal centro de perdas das empresas modernas é mais complexo e está ligado à tecnologia.
Nesse sentido, atualmente, o desperdício mais difícil de identificar roda silenciosamente em servidores, ambientes em nuvem, recursos provisionados sem controle e arquiteturas digitais que cresceram sem governança proporcional.
O fato é que a transformação digital alterou profundamente a natureza das operações empresariais, que passaram a depender de cloud computing para praticamente tudo, desde armazenamento, processamento, aplicações críticas, segurança e analytics até IA, integração de sistemas e escalabilidade operacional.
O problema é que a velocidade da adoção tecnológica foi muito superior à maturidade de gestão sobre essa infraestrutura. Em muitos casos, companhias migraram para a nuvem acreditando que elasticidade significava eficiência automática e descobriram (ou ainda não), que seus workloads não demandam infraestrutura de forma tão elástica quanto supostamente imaginavam. Flexibilidade sem controle ou sem demanda também amplia desperdício em escala.
Os números ajudam a traduzir a dimensão do desafio.
