Por Ken Paulson
Hazel Brannon Smith era quase certamente a mulher mais impopular do Mississippi quando escreveu um editorial em 1963 criticando duramente o “Conselho de Cidadãos Brancos” racistas no Lexington Advertiser, jornal de sua propriedade.
“A hierarquia de governantes nesta organização de cunho totalitário não permite qualquer desvio de sua linha oficial -e aqueles que acreditam e defendem os conceitos tradicionais americanos de liberdade humana, dignidade e decência, o fazem por sua própria conta e risco”, escreveu ela em um editorial que era ao mesmo tempo poético e perigoso.
Os conselhos constituíam uma rede de grupos supremacistas brancos por todo o Sul, muitas vezes com fortes laços com cidadãos locais proeminentes. Eles já vinham pressionando Smith economicamente, não por ela ser uma defensora ferrenha da integração racial -ela não era- mas por editoriais nos quais insistia na adesão ao Estado de Direito, exigia justiça para todos e incentivava relações raciais pacíficas.
Smith pagou um preço alto por sua coragem.
Ameaças de morte, incêndio criminoso em sua redação, boicotes e até mesmo a demissão de seu marido do cargo de administrador de um hospital não arrefeceram sua luta pela liberdade e justiça. Ela se tornou a 1ª mulher a ganhar o Prêmio Pulitzer de editorialismo, em 1964.
A história de Smith é inspiradora, mas de forma alguma um caso isolado.
