Percorrer a área externa do Hospital Público Eugenio Espejo, em Quito, é se deparar com uma realidade diária que angustia dezenas de familiares de pacientes que precisam comprar por conta própria medicamentos e insumos que o hospital não consegue fornecer para diferentes tratamentos.
Esse é um dos grandes problemas que continuam afetando o sistema de saúde do Equador, enquanto os pacientes imploram por um atendimento mais humano e justo.
Encontramos María del Carmen Sigcho sentada em uma das escadas da entrada principal do hospital, junto a outras pessoas que aguardam, ao relento, notícias de seus entes queridos. Ela conta que seu familiar está internado há dois meses devido a uma pancreatite e que o tratamento exige que a família compre medicamentos caros praticamente todos os dias, porque o hospital não dispõe deles.
“A situação econômica é crítica. Às vezes tem, às vezes não tem, mas precisamos fazer todo o possível para fornecer a medicação de que ele precisa. Quase todos os dias nos pedem as receitas. Fico surpresa que eles não tenham luvas cirúrgicas e que nós tenhamos que trazer. É um estado crítico, compramos tudo fora”, comenta Sigcho.
Poucos minutos depois, chegou Denis Arévalo com uma sacola de uma farmácia particular contendo medicamentos para seu parente que sofre de lúpus, uma doença autoimune crônica na qual o sistema imunológico ataca, por engano, os próprios tecidos e órgãos, segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos.
