Morador da zona rural de Carauari, no interior do Amazonas, Francisco Solivan Peres de Araújo perdeu a mãe quanto tinha 2 anos. Ela faleceu durante o parto de sua irmã. “Deu uma hemorragia. Na época, não tinha possibilidade nenhuma de chegar na cidade”, disse ele à reportagem da Agência Brasil, relembrando as condições de vida na região no final da década de 80.
A triste história de Solivan, atual presidente da Associação dos Moradores Agroextrativistas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, a Amaru, é muito comum pela região. São relatos de perdas, sequelas e traumas provocados pela distância entre a zona rural e a zona urbana. Ou, até mesmo, pela falta de dinheiro para conseguir deslocar-se até a cidade para um atendimento em saúde.
Carauari é um município de grande extensão territorial, um dos maiores do Brasil, com mais de 25.700 km² de área -maior até do que diversos países. Banhado pelo sinuoso rio Juruá e cercado pela floresta amazônica, isso significa que ir da zona rural de Carauari, onde estão concentradas as populações ribeirinhas, até a zona urbana, onde há a estrutura pública fixa de saúde, pode levar horas ou dias de viagem.
O trajeto depende do tipo de embarcação e da situação do rio. Se estiver em época de seca, o percurso pode ser ainda mais demorado.
