Uma política fiscal expansionista na contramão do esforço do Banco Central de frear a economia é o que pressiona o patamar da dívida pública, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.
Além de um cenário macroeconômico global em que os juros são elevados no mundo todo, os especialistas ressaltam que a continuidade dos gastos públicos é um elementos que forçam a manutenção da política monetária do Banco Central em patamar contracionista.
“Os juros altos são uma consequência de um problema que não é estrutural”, pontua Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do BC e presidente do conselho de administração da Jive Mauá.
“Nós praticamos uma política fiscal que vai sempre na contramão do Banco Central. Para a inflação acalmar, ele precisa reduzir um pouco a atividade, moderar um pouco o crescimento. Mas, do outro lado, o governo acelera muito, expande muito o gasto”.
No acumulado em doze meses até junho, o custo com os juros alcançou R$ 1,16 trilhão, o equivalente a 8,8% do PIB (Produto Interno Bruto), ante a R$ 912,3 bilhões (7,41% do PIB) nos doze meses até junho de 2025.
Hoje, a taxa básica de juros do país está em 14,25% ao ano. Com incertezas no horizonte, a perspectiva é de que a Selic caia em um ritmo muito lento. A expectativa dos economistas, segundo a pesquisa Focus, é de que a taxa permaneça em dois dígitos até 2028.
