Receber uma negativa nunca é agradável. Ainda assim, há pessoas que conseguem reorganizar expectativas e seguir em frente, enquanto outras experimentam um sofrimento intenso, entram em conflito ou insistem até transformar um limite em uma disputa. A diferença raramente está no episódio em si, mas na forma como esse limite é vivido.
Na clínica, percebo que a dificuldade em aceitar um “não” costuma revelar uma relação antiga com a frustração. Não se trata apenas de temperamento. A maneira como aprendemos a lidar com limites, perdas e contrariedades influencia diretamente nossa capacidade de enfrentar situações semelhantes na vida adulta.
Mas afinal, por quê os feminicídios não param de subir?
Entre a infância e os padrões aprendidos
Estudos em neurociência mostram que experiências de estresse na infância podem influenciar áreas do cérebro relacionadas à regulação emocional, ao controle dos impulsos e à flexibilidade cognitiva. Crianças expostas repetidamente a críticas excessivas, instabilidade emocional ou dificuldades persistentes tendem a desenvolver maior vulnerabilidade diante de situações frustrantes. Isso não determina o comportamento na vida adulta, mas pode contribuir para uma menor tolerância aos limites.
A história de vida, porém, não se resume à biologia. A forma como uma criança aprende a lidar com regras também exerce influência importante.
