Ceuta representa, para milhares de marroquinos, algo que vai além de um enclave espanhol no norte da África: é uma porta de entrada para a Espanha e, consequentemente, para a União Europeia. Esse raciocínio está no centro da crise migratória que eclodiu na última semana, quando milhares de pessoas nadaram até o território espanhol.
Entenda:
Ceuta - é uma cidade autônoma espanhola de 18,5 km² e 83.000 habitantes;
travessia a nado - o principal ponto é pelo quebra-mar da praia de Tarajal; existem alguns trajetos que podem ser feitos, que vão de 200 metros até 5 km (quando se parte de praias marroquinas mais distantes para tentar evitar patrulhas marítimas);
imigrantes em Ceuta - o governo espanhol diz que cerca de 50.000 pessoas entraram no enclave nos últimos dias; 48.000 já retornaram;
estopim - a travessia em massa foi motivada por uma decisão do Supremo da Espanha, que limitou deportações de imigrantes que chegam pelo mar.
Na prática, a chegada a Ceuta não garante ao imigrante o direito de circular pela União Europeia. A cidade autônoma não faz parte do espaço Schengen -conjunto de países europeus que aboliram os controles nas suas fronteiras internas para permitir a livre circulação de pessoas.
Para viajar de Ceuta para a Espanha peninsular e para os demais países da União Europeia, é necessário passar por um controle documental nos portos e aeroportos. Ainda assim, para muitos marroquinos, alcançar o enclave tornou-se o 1º passo para a regularização.
