Espanha instala barreira inflável no mar para impedir mais chegadas a Ceuta
Sem ter para onde ir, sem comida e vagando pelas ruas.
Era assim que estavam, na manhã de sexta-feira (31/7), milhares de migrantes que cruzaram a fronteira entre Marrocos e o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, em uma das piores crises migratórias em território da União Europeia nos últimos anos.
As autoridades espanholas informam que, nas últimas 24 horas, cerca de 60 mil pessoas cruzaram a fronteira nadando ou pulando cercas para o lado espanhol.
A grande maioria acabou retornando voluntariamente, informou o Ministério do Interior da Espanha. O cenário que encontraram em Ceuta era completamente desolador.
"Isso não é nada bom, também não é divertido", disse à agência Reuters um migrante que estava retornando para Marrocos.
"As pessoas estão morrendo aqui. Se você ainda não veio, não venha, eu imploro, por favor. Não faça isso."
A maioria dos que cruzaram a fronteira era formada por homens jovens, embora também houvesse mulheres e crianças.
Getty Images
Outro migrante contou que ficou preso em meio a uma debandada enquanto fazia a travessia e temeu pela própria vida.
Pelo menos 57 pessoas morreram afogadas ao tentar chegar ao território, segundo informaram as autoridades.
A chegada repentina de multidões de migrantes deixou Ceuta, uma cidade com pouco mais de 80 mil habitantes, em colapso.
'Estamos presas aqui, sem poder voltar para casa': o desespero dos milhares de migrantes que cruzaram a fronteira entre Marrocos e Espanha por Ceuta
