Por Gabriela Cupani
É cada vez mais evidente a relação entre a saúde do coração e o envelhecimento do cérebro. Uma pesquisa da Universidade College London, na Inglaterra, publicada no European Heart Journal, mostra que problemas cardiovasculares na meia-idade, mesmo sem sintomas, podem aumentar o risco de demência décadas depois.
Os autores chegaram a essa conclusão depois de avaliar as taxas de troponina, uma proteína liberada quando há lesão nas células do músculo cardíaco, de quase 6.000 participantes com idades de 45 a 69 anos, acompanhados ao longo de 25 anos.
No estudo, pessoas com níveis de troponina mais elevados, mesmo abaixo dos limites clínicos, tiveram um risco 38% maior de desenvolver demência ao final do período analisado. Além de ser um marcador de infarto, a troponina também aumenta em casos de miocardite, pericardite, insuficiência cardíaca, fibrilação atrial, doença renal crônica e hipertensão mal controlada, por exemplo.
“A relação entre coração e cérebro está cada vez mais clara na medicina moderna. Hoje entendemos que a saúde cardiovascular não influencia apenas infarto, AVC [acidente vascular cerebral] ou insuficiência cardíaca, mas também a velocidade do envelhecimento cerebral”, diz o cardiologista Humberto Graner, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia.
O trabalho britânico reforça que a demência não se inicia quando a memória piora.
