Por Thais Szegö
As consequências de uma noite maldormida podem ser notáveis na performance cognitiva no dia seguinte. Em um estudo pré-clínico publicado recentemente na revista científica Neuropsychopharmacology, a privação de sono esteve associada a uma piora na comunicação entre os neurônios do hipocampo, região cerebral essencial para a formação e a consolidação de novas memórias. E a cafeína se mostrou uma possível aliada contra esse efeito.
Pesquisadores da Universidade Nacional de Singapura interromperam o sono de camundongos durante 5 horas. Em seguida, eles receberam cafeína misturada a água potável para consumo livre durante 7 dias. Os pesquisadores também analisaram a atividade elétrica do cérebro dos roedores para verificar os efeitos da intervenção. Os resultados mostram que, após a intervenção, o circuito cerebral apresentou sinais de recuperação.
“Hoje já temos evidências bastante consistentes de que o sono é fundamental para a consolidação da memória, já que é nesse período que o cérebro organiza as informações aprendidas ao longo do dia e fortalece as conexões entre os neurônios, permitindo que essas lembranças sejam armazenadas de forma mais duradoura”, diz a neurologista Ana Aguilar, especialista em medicina do sono do Einstein Hospital Israelita.
Durante o descanso noturno, o cérebro reforça as conexões entre os neurônios e promove alterações importantes para a plasticidade cerebral, capacidade de se reorganizar diante de novos estímulos.
